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Mostrando postagens com o rótulo Carpinter

Escapismo

Saudade é privilégio  De quem ja sentiu o amor Os ecos da solidao Abraçam a noite de quem ja o perdeu Vozes escapam da mente Pensamentos se esvaem pela boca Momentos felizes se perdem No labirinto da memória  Não quero amor picado Sentimento variado Paixao volátil  Ausência comum Eu busco  Mas não me encontro Nas veredas das idéias  Sou mero devaneio

Ceci n'est pas une pipe

 Essa não é uma declaração de amor Pois eu não te amo Amo a mim, refletido em você  Eu sou inverno e você, primavera Próximos mas separados Em temperaturas e existências diferentes  Eu te amo tanto, que permito-me manter distância do meu respirar ao seu Para que não sejam inconvenientes os meus amores aos teus Querer não é poder E ter, nem sempre é possuir Se amar é deixar ir Então, não irei Manterei a insignificância do meu sentir  Nem todo paixão é um amor E nem todo amor foi feito para ser vivido  Mas sentido

Capital

As ruas lotadas são vazias Cheias de indiferença  Carros silenciam as vozes O silêncio grita entre as mentes As minhas referências me desviam do caminho Perdido na reta Me encontro nas irregularidades da vida A nostalgia do que nunca aconteceu me corrói  Não paro de viver a ausência daquilo que nunca tive A saudade de algo que não vivi A morte de quem ainda não existe  O antes farto se faz escasso A presença ausente conforta O abrigado ao relento O desabrigado acolhe-se Refém no cativeiro das minhas liberdades Livre na prisao das minhas escolhas Presente diante a inexistência  Olho a imensidão  Não vejo nada Toco o nada Sinto tudo

Ser

 Viver é como um som  Meio ao silêncio do universo Eu estou cansado de gritar Para poder existir A luz primordial, que a tudo criou Esquenta meu corpo Ilumina meu andar Clareia minhas idéias O eterno dilema humano Atormenta as noites A ânsia de viver O tédio por existir Sonho são esquecíveis Sono é pesado Inconsciente, penso Acordado, esqueço  Caminho sozinho Ruas escuras me abraçam  Passos lentos me levam Para as consequências dos meus atos

Insônia

Gosto de andar Os sons da cidade abafam os pensamentos Organizam as ideias Calam as vozes Na noite produzo  No dia, atraso Planos surgem Projetos fracassam A dor não cessa O remedio não cura o que só a alma acessa A mente dorme Os olhos não fecham Selene no céu  Traz mais brilho que Hélio Inverte os sentidos Infla o coração  Gosto de andar Mas os sons da cidade calam-se  Perante a madrugada As vozes retornam Quero dormir Silenciar o coração que dispara A mente inquieta A respiração ofegante  Luzes se apagam Olhos se fecham A mente acorda O sol brilha novamente

Amor

  O amor é um fogo que arde sem se ver  silencioso, desapercebido expresso de maneiras tão sutis que a sua percepção é esclarecedora Amor é só uma palavra Amar é um dicionário inteiro nas mais diversas línguas com seus vícios e gírias Amor é presença ausente no espaço talvez mas presente no tempo na mente Amar é demonstrativo, não explicativo dormir juntos vendo um filme uma conversa no bar amar é ser, estar, por O amor nem sempre é um fogo quente, ardente mas morno, suave lento como uma valsa em clichês adolescentes Das mais diversas expressões do amor de Eros a Philia esta é a minha não um toque tórrido, mas sim acalentador. 

Crônica de Dias Chuvosos

Luz e Estrondo A visão turva pela agua que incessantemente caia sobre seus corpos forjava mais um encontro de paixões fadado ao fim repentino A chuva que os uniu lavava-os, dos medos e inseguranças esfriava o ardor de seus corpos e mentes  e aquecia seus corações ansiosos Uma cama, um casal Como o mais comum dos clichês românticos presos em um hotel de quinta em sua fuga da realidade Como o sol seus corpos se uniam em uma visão quase apoteótica gerando calor e brilho intensos o bastante para iluminar suas vidas sombrias e congelantes Porém, aquela que tão fervorosamente os uniu foi-se embora para acalentar outros abrindo espaço para o brilhar de uma lua solitária abandonada por suas companheiras longínquas Presos por um sentimento perseguidos pela partida daquela que selou seu amor observam as nuvens agora brancas e esparsas pelo céu  zombando de suas dores e incertezas. Questionavam para onde teria ido a tão acolhedora chuva perseguiram incessantemente cada rastro ansiando es...

Só

Em plena madrugada de insônia, preso em pensamentos tive uma epifania  e nela a seguinte pergunta: Por que a Solidão dói? Seria uma defesa natural, que para nos obrigar a reproduzir causa angústia e desconforto, logo ficar sozinho é igual a sofrimento, fazendo então que busquemos um par. Ou algo totalmente humano, social?  Conforme evoluímos nos tornamos seres sociais, então a interação com outros seres se torna crucial em nosso desenvolvimento. Mas graças a lógica deturpada de nossa sociedade corrompida estar só é o maior símbolo de fracasso existente, seja romanticamente ou socialmente, não existe felicidade ou sucesso fora dos termos, somente a dor e desesperança. Estamos cercados por todos os lados por casais felizes e realizados nas séries, filmes, revistas, quadrinhos e redes sociais. Manipulados por todos os lados e por diversos motivos, seja o governo necessitando que mais crianças nasçam conforme as taxas de natalidade caem, o sistema capitalista que lucra desde o pri...

Talvez nunca mais um país

 Acordo, e apesar de sonolento me ponho a escrever Sob as estrelas percebo então  A solidão do viver Escrevo para quem? E pra que? No futuro quem sabe seja importante  Só me resta crer Espere criança, o futuro que há de vir Forte e impiedoso  Mas sem nunca desistir  Quem espera nem sempre alcança  Se cansa E cansado estamos  A esperança, outrora amazona, lutadora, imortal Agora apenas uma frágil palavra, sensação  Tema de poemas e ilusão do coração  “Livremente servimos Porque livremente amamos, conforme nosso arbítrio  De amar ou não; assim nos erguemos ou caímos” Enquanto não nos erguemos, uma queda nos aguarda Mas o que tem início, tem fim E cada final é o começo de uma nova história. {terceiro lugar no 1º concurso municipal de poesia de Paraíba do sul}

Sombras

Em meio a escuridão me vejo uma cegueira, nao só emocional  como também racional de toda uma nação Ando entre sombras afinal, sou uma delas todos somos Enquanto o relógio da vida leva o da sociedade sequestra e não existe resgate ou ligação somente a dor da perda Pela cidade me camuflo entre tantos outros afinal, não somos os outros pros outros? e enquanto ria ao pensar em todas as máscaras sobre máscaras sou transportado para um terrivel lugar Um vale, cheio de corpos mas diferente da passagem em Ezequiel nao teve chamado divino ou ressurreição e os mortos jamais voltarão Preso nesse limbo amaldiçoado conto todos sombras que, sem a luz camuflam-se na escuridão desaparecendo aos olhos dos desatentos números apenas Ao chegar em 100 mil paro percebo ser impossível continuar a contagem mais e mais corpos chegam e se amontoam a minha frente Abro os olhos e vejo a luz suspiro, aliviado por tudo ser só um pesadelo mas pelo canto do olho vejo mais uma sombra sumir para sempre

Quarentena-se

Adentramos o inverno, não a estação, mas uma condição emocional imposta a toda uma sociedade Somos frios,secos e brutos Destruimos tudo a nossa frente A natureza,os animais e nós mesmos A quarentena nos priva do fator condicional para sermos humanos O convívio social Sem o Outro Nao existe motivo para a existência do Eu E aos poucos perdemos a nossa identidade,não só como indivíduos Mas como espécie Vivemos em prol da sociedade E tudo em nossa vida é planejado segundo ela E no instante em que a perdemos Ficamos atordoados e sem rumo A quarentena não só nos afastou dos outros Como de nós mesmos Crescemos e evoluimos vivendo e convivendo Sem essa experiência nos tornamos apáticos Paralisados em um tempo ja não existente Vendo toda a nossa humanidade ser corroída e desaparecendo aos poucos Um dia, sim, o verão também chegará Mas nós estaremos lá?

Eu

Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você. E ali estava ele, um par de olhos negros, observando-me e tocando a minha alma. Cercado por desejos e emoções, certezas e incertezas, eu me vi. Perdido dentro do meu próprio ser em busca do autoconhecimento. Amores mal resolvidos Mágoas encobertas Sonhos esquecidos Erros e defeitos a cada esquina da minha existência. Entre encontros e desencontros Passado, presente e futuro se fundem Tornando-se um só Assim como eu. Volto então a consciência E encaro novamente o abismo E do espelho ele me olha de volta Um gigantesco abismo chamado Eu.

Te amo

Eros, em seu palácio nas nuvens, observa a humanidade a procura de mais uma vítima para suas artimanhas, e, cansado de poetas e músicos decidiu por um ser comum, eu. Sim, realmente a amo, mas porque? Será o destino ou algo parecido? Ou o seu jeito de ser? No fim, isso não importa, já que aqui estou, rendido e despido perante todos. Enquanto me questiono, ele gargalha, típica reação dos deuses após mexer com a simples vida humana. O que fazer agora? Não sei. Deveria entoar cânticos? Recitar poemas? Uma serenata? Ou um simples eu te amo? Ah, a doce angústia da ignorância. O momento unico,sublime, em que não se sabe a resposta, apreensão. Já dizia um grande poeta " amor e dor não rima atoa"e realmente dói. A indecisão, incerteza e incoerência desse amor incondicional e unilateral, pulsante  e desesperado, ansioso pelo sim ou não. Eu amo por egoismo ou sou egoísta por amar? Ainda irei descobrir, mas não hoje, um dia quem sabe.

Nada

Acordo, escrevo, apago. Esse é o roteiro do dia, num ciclo infinito de decepção e rancor, afinal, o que estou fazendo aqui? Por que ainda tento escrever? Percebo que a perseverança,um dos fatores inerentes á raça humana está trabalhando.Sobre o que escrever? Não sei, mas tentarei ao máximo deixar esse texto com sentido. Somos egoístas por amar ou amamos por sermos egoístas? Existimos por pensar ou pensamos por existir? Como podemos querer conhecer o mundo se não nos conhecemos? Se a cada dificuldade somos obrigados a colocar máscaras sobre máscaras até o momento em que não saberemos quem somos. Receberemos a morte de braços abertos como uma amiga, sem remorso, satisfeitos com a vida que vivemos ou adiaremos ao máximo o fim de uma existência subserviente, corrompendo nossa humanidade até que reste apenas um eco do que ja fomos? Se " a dor de um poeta toca muito mais quem ama" então quando paramos de amar? Pra onde foi a nossa empatia? Enquanto o individualismo cresce, ...