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Ceci n'est pas une pipe

 Essa não é uma declaração de amor Pois eu não te amo Amo a mim, refletido em você  Eu sou inverno e você, primavera Próximos mas separados Em temperaturas e existências diferentes  Eu te amo tanto, que permito-me manter distância do meu respirar ao seu Para que não sejam inconvenientes os meus amores aos teus Querer não é poder E ter, nem sempre é possuir Se amar é deixar ir Então, não irei Manterei a insignificância do meu sentir  Nem todo paixão é um amor E nem todo amor foi feito para ser vivido  Mas sentido

Capital

As ruas lotadas são vazias Cheias de indiferença  Carros silenciam as vozes O silêncio grita entre as mentes As minhas referências me desviam do caminho Perdido na reta Me encontro nas irregularidades da vida A nostalgia do que nunca aconteceu me corrói  Não paro de viver a ausência daquilo que nunca tive A saudade de algo que não vivi A morte de quem ainda não existe  O antes farto se faz escasso A presença ausente conforta O abrigado ao relento O desabrigado acolhe-se Refém no cativeiro das minhas liberdades Livre na prisao das minhas escolhas Presente diante a inexistência  Olho a imensidão  Não vejo nada Toco o nada Sinto tudo