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Escapismo

Saudade é privilégio  De quem ja sentiu o amor Os ecos da solidao Abraçam a noite de quem ja o perdeu Vozes escapam da mente Pensamentos se esvaem pela boca Momentos felizes se perdem No labirinto da memória  Não quero amor picado Sentimento variado Paixao volátil  Ausência comum Eu busco  Mas não me encontro Nas veredas das idéias  Sou mero devaneio

Ceci n'est pas une pipe

 Essa não é uma declaração de amor Pois eu não te amo Amo a mim, refletido em você  Eu sou inverno e você, primavera Próximos mas separados Em temperaturas e existências diferentes  Eu te amo tanto, que permito-me manter distância do meu respirar ao seu Para que não sejam inconvenientes os meus amores aos teus Querer não é poder E ter, nem sempre é possuir Se amar é deixar ir Então, não irei Manterei a insignificância do meu sentir  Nem todo paixão é um amor E nem todo amor foi feito para ser vivido  Mas sentido

Capital

As ruas lotadas são vazias Cheias de indiferença  Carros silenciam as vozes O silêncio grita entre as mentes As minhas referências me desviam do caminho Perdido na reta Me encontro nas irregularidades da vida A nostalgia do que nunca aconteceu me corrói  Não paro de viver a ausência daquilo que nunca tive A saudade de algo que não vivi A morte de quem ainda não existe  O antes farto se faz escasso A presença ausente conforta O abrigado ao relento O desabrigado acolhe-se Refém no cativeiro das minhas liberdades Livre na prisao das minhas escolhas Presente diante a inexistência  Olho a imensidão  Não vejo nada Toco o nada Sinto tudo